1438- FEST, UFES e Governo do Espírito Santo unem ciência e gestão para enfrentar o lixo no mar
Novo projeto, coordenado pelo professor Fabian Sá, vai diagnosticar a presença de resíduos sólidos no litoral capixaba e contribuir para o aprimoramento de políticas públicas de enfrentamento ao lixo no mar
A Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), em parceria com Universidade Federal do Espírito Santo e a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (SEGER), inicia um novo projeto voltado ao enfrentamento do lixo no mar no Espírito Santo. Coordenado pelo professor Dr. Fabian Sá, do Departamento de Oceanografia do Centro de Ciência Humanas e Naturais (CCHN) a iniciativa busca aproximar ciência, gestão pública e participação social para produzir informações que contribuam para a conservação dos ambientes marinhos e costeiros e para o aprimoramento das políticas públicas estaduais.
O projeto está inserido no contexto da avaliação da governança do Plano Estadual de Resíduos Sólidos do Espírito Santo (PERS-ES) e prevê a elaboração de um capítulo específico sobre o enfrentamento ao lixo no mar. A proposta também contempla a implantação da Rede Oceano Limpo – Espírito Santo (ROL-ES), fortalecendo a articulação entre pesquisadores, gestores de Unidades de Conservação, sociedade e demais atores envolvidos com a gestão da zona costeira.
Os ecossistemas marinhos e costeiros oferecem serviços essenciais à sociedade, relacionados à regulação do clima, ao ciclo de nutrientes, à geração de renda, ao lazer, à recreação e à manutenção da biodiversidade. Ao mesmo tempo, esses ambientes sofrem impactos associados à poluição, à sobrepesca e às mudanças climáticas.
Nesse cenário, o projeto parte da necessidade de produzir conhecimento científico capaz de subsidiar decisões e ações de conservação, restauração e gestão ambiental. A proposta prevê ainda processos participativos e de aprendizagem social, envolvendo diferentes setores da sociedade que atuam na Zona Costeira do Espírito Santo.
O trabalho também está alinhado a iniciativas nacionais e internacionais de enfrentamento à poluição marinha, incluindo o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar e os esforços relacionados à Década do Oceano. A experiência da Rede Oceano Limpo, já desenvolvida em outros estados brasileiros, será utilizada como referência para a implementação da estratégia no Espírito Santo.
Diagnóstico em praias de Unidades de Conservação
Uma das principais frentes do projeto será a realização de um diagnóstico de resíduos sólidos em praias localizadas em Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais ao longo do litoral capixaba.
A seleção das áreas considera fatores como localização geográfica, pressão urbana, proximidade das desembocaduras de rios e inserção em Unidades de Conservação. Uma seleção preliminar identificou 45 praias com potencial para integrar as atividades de diagnóstico, contemplando diferentes regiões do litoral do Espírito Santo.
Nas áreas selecionadas, serão aplicadas metodologias padronizadas para identificar e caracterizar os resíduos encontrados. O levantamento permitirá reunir informações sobre os principais tipos e possíveis fontes de lixo, além de identificar áreas com maior vulnerabilidade e possibilitar comparações entre diferentes regiões e Unidades de Conservação.
Tartarugas marinhas como bioindicadoras
Outra frente importante será o estudo da ingestão de resíduos sólidos por tartarugas marinhas. O conteúdo gastrointestinal desses animais será analisado como indicador complementar da presença de lixo no ambiente marinho.
A proposta considera as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem em águas brasileiras: tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde, tartaruga-de-couro, tartaruga-de-pente e tartaruga-oliva. As informações obtidas poderão contribuir para ampliar a compreensão sobre os impactos dos resíduos sólidos sobre a fauna marinha.
Além do diagnóstico em campo, o projeto prevê o levantamento de iniciativas já existentes no Espírito Santo, revisão sistemática da literatura e organização de dados secundários. As informações serão reunidas em um banco de dados para subsidiar análises e orientar estratégias futuras de enfrentamento ao lixo no mar.
Entre os resultados previstos estão a produção e disseminação de informações sobre o lixo no mar no Espírito Santo, a aplicação de um estudo para o Índice de Potencial de Enfrentamento ao Lixo no Mar nas Unidades de Conservação do Estado e a sistematização das informações necessárias à composição do capítulo do PERS-ES.
Com a integração entre pesquisa científica, gestão pública e participação social, o projeto busca contribuir para uma atuação mais estruturada e adaptativa diante do problema dos resíduos sólidos no ambiente marinho, fortalecendo a conservação dos ecossistemas costeiros e o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências.