1407 – Ciência a serviço do meio ambiente: UFES, com apoio da FEST, analisa efeitos biológicos do material particulado atmosférico
A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com apoio da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), deu início a um novo projeto de pesquisa que busca aprofundar o conhecimento sobre os potenciais efeitos genotóxicos de elementos químicos presentes no material particulado atmosférico (MPA) da Região Metropolitana da Grande Vitória (ES). A iniciativa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da UFES e é coordenada pela Prof.ª Dr.ª Silvia Tamie Matsumoto, do Departamento de Ciências Biológicas do Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN).
O projeto tem como objetivo avaliar, de forma integrada, os efeitos genotóxicos, citogenéticos, citotóxicos, fitotóxicos e ecotoxicológicos associados aos elementos químicos presentes no MPA da Grande Vitória. Para isso, a pesquisa combinará diferentes abordagens metodológicas, incluindo bioensaios com vegetais modelos, ensaios celulares e testes ecotoxicológicos, possibilitando a análise das respostas biológicas em múltiplos níveis de organização.
Além da avaliação dos efeitos biológicos, o estudo contará com análises ultraestruturais por microscopia eletrônica de transmissão de alta resolução (HRTEM), permitindo confirmar a internalização de nanopartículas nos organismos avaliados. Essa etapa é fundamental para compreender como essas partículas interagem com os sistemas biológicos, quais mecanismos de toxicidade e detoxificação são ativados e quais podem ser as implicações para a saúde ambiental e humana.
A poluição atmosférica por material particulado, especialmente aquele proveniente de atividades metalúrgicas e de pelotização de minério de ferro, é reconhecida como um dos principais passivos ambientais e de saúde pública na Região Metropolitana da Grande Vitória. Pesquisas anteriores já identificaram que o MPA local contém misturas complexas de metais e nanopartículas emergentes, como titânio (Ti), cério (Ce), bismuto (Bi), zircônio (Zr) e ítrio (Y), capazes de provocar efeitos citotóxicos, genotóxicos e alterações fisiológicas em diferentes modelos biológicos. No entanto, ainda são escassas as evidências diretas sobre a internalização dessas nanopartículas e sobre os mecanismos de detoxificação em organismos de diferentes níveis tróficos, bem como sua relação com os efeitos toxicológicos já observados.
A realização do projeto é particularmente estratégica no contexto da UFES, situada em Vitória — área diretamente impactada pelas emissões de MPA associadas ao complexo industrial da região. Como instituição pública de ensino, pesquisa e extensão, a Universidade desempenha papel central na produção de conhecimento científico aplicado às demandas socioambientais do Espírito Santo.
Ao integrar ensaios fitotóxicos, citogenéticos, ecotoxicológicos e análises ultraestruturais, a pesquisa amplia o entendimento científico sobre os riscos associados ao material particulado atmosférico e fortalece a base técnica necessária para subsidiar gestores públicos, órgãos ambientais e a sociedade civil na formulação de políticas ambientais e de saúde mais eficazes.
Com o apoio da FEST, a iniciativa reafirma o compromisso institucional com o desenvolvimento científico voltado à realidade local, contribuindo para enfrentar desafios ambientais contemporâneos com rigor metodológico, inovação e responsabilidade social.
Texto: Vanessa Pianca