FEST – Fundação Espírito-santense de Tecnologia

1390- FEST e Axia Energia Centrais Elétricas Brasileiras S.A lançam projeto para recuperação hidroambiental na Bacia do Rio Grande (MG)

A Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), em parceria com a Axia Energia Centrais Elétricas Brasileiras S.A, deu início ao Projeto de Recuperação Hidroambiental e Produtivo em Assentamentos da Reforma Agrária na Bacia do Rio Grande, em Minas Gerais. Ao longo de 24 meses, a inciativa vai beneficiar diretamente 952 famílias distribuídas em 10 assentamentos da reforma agrária.

A ação integra o Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas na área de influência dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Furnas, conforme a Resolução nº 2, de 28 de dezembro de 2023, e será apresentada pelo Departamento de Reflorestamento e Recuperação de Áreas Degradadas da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDI/MAPA/DEFLO).

O projeto tem como objetivo central promover a revitalização e preservação dos recursos hídricos na Bacia do Rio Grande, aliando recuperação ambiental à inclusão produtiva e ao fortalecimento socioeconômico das comunidades assentadas.

Entre as principais entregas previstas estão:

  • 952 famílias com acesso a tecnologias hídricas apropriadas e capacitadas para gestão sustentável da água;
  • Distribuição de equipamentos e kits para produção sustentável, com formação técnica para uso adequado;
  • Assistência técnica especializada e elaboração de planos de desenvolvimento das propriedades;
  • Capacitação em gestão de negócios e empreendedorismo, ampliando o acesso a mercados e geração de renda;
  • Fortalecimento da resiliência hídrica e produtiva nos assentamentos atendidos.

A iniciativa prevê a implantação de áreas demonstrativas para captação e armazenamento de água da chuva, sistemas de irrigação de baixo custo, tecnologias de tratamento de água, recuperação de pastagens degradadas, restauração de nascentes e matas ciliares, além da adoção de sistemas agroflorestais e práticas agroecológicas.

A Bacia do Rio Grande, elemento estruturante do cenário socioeconômico mineiro, tem enfrentado, nas últimas décadas, impactos decorrentes das mudanças climáticas, da degradação ambiental e da pressão sobre os recursos naturais. Em assentamentos da reforma agrária, esses desafios se somam a índices de vulnerabilidade social e econômica.

Mesmo em regiões classificadas como de baixa vulnerabilidade hídrica segundo dados oficiais, o uso intensivo do solo para agropecuária, a substituição da vegetação nativa do cerrado por pastagens subutilizadas e práticas agrícolas inadequadas têm contribuído para processos de erosão e perda de biodiversidade, afetando diretamente o regime hidrológico.

O projeto surge, portanto, como uma resposta estratégica e integrada, promovendo a conservação do solo, a proteção de nascentes, o georreferenciamento das áreas, o incentivo ao associativismo e cooperativismo e a transição para modelos produtivos mais sustentáveis.

Integração entre produção e conservação

A proposta parte do princípio de que recuperação ambiental e fortalecimento produtivo são dimensões interdependentes. Solos conservados e disponibilidade de água de qualidade são pré-requisitos para uma agricultura resiliente. Ao mesmo tempo, práticas agroecológicas e sistemas sustentáveis reduzem a pressão sobre os recursos naturais e contribuem para a saúde da bacia hidrográfica.

A diretora da FEST, Patrícia Bourguignon, e coordenadora do projeto, destaca a relevância estratégica da iniciativa: “Este projeto representa um compromisso concreto com a sustentabilidade ambiental e com a dignidade das famílias assentadas. Ao integrar recuperação hidroambiental, capacitação técnica e fortalecimento produtivo, estamos construindo um ciclo virtuoso que une conservação dos recursos hídricos, geração de renda e desenvolvimento social. Acreditamos que investir nas pessoas e no território é a melhor forma de garantir a saúde da Bacia do Rio Grande e um futuro mais resiliente para essas comunidades.”

Com metodologia participativa, valorizando os saberes locais e promovendo trocas de experiências, o projeto pretende consolidar um modelo de desenvolvimento rural que una segurança hídrica, segurança alimentar e inclusão socioeconômica, contribuindo de forma estruturante para a sustentabilidade da Bacia do Rio Grande, em Minas Gerais.