1299- UFES desenvolve projeto inovador para produção de fibras funcionais de celulose para a indústria têxtil
A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em parceria com a Klabin e com apoio da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), deu início ao projeto Produção de Fibra Funcional de Microfibrilas de Celulose para a Indústria Têxtil, uma iniciativa que une ciência, inovação e sustentabilidade para o desenvolvimento de novos materiais aplicáveis ao setor têxtil.
O projeto é coordenado pelo Professor Dr. Michel Picanço Oliveira, do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira (DCFM) do Centro de Ciência Agrária e Engenharia (CCAE), e tem como foco o desenvolvimento de fios e fibras em escala laboratorial, buscando atender aos padrões técnicos exigidos pela indústria têxtil contemporânea.
Entre os principais objetivos da pesquisa estão:
- Desenvolver e caracterizar fios e fibras em escala laboratorial com potencial de aplicação industrial;
- Definir as análises necessárias para avaliação dos filamentos após seu desenvolvimento;
- Produzir e caracterizar filamentos à base de microfibrilas de celulose (MFC) combinadas com material carbonáceo proveniente da lignina;
- Produzir e caracterizar filamentos de MFC com materiais carbonáceos, como o negro de fumo;
- Comparar a qualidade dos fios desenvolvidos no projeto com os fios atualmente utilizados pela Cedro Têxtil.
Sustentabilidade e inovação no setor têxtil
As microfibrilas de celulose (MFC) vêm ganhando destaque em pesquisas científicas por se tratarem de uma alternativa sustentável aos materiais petroquímicos, uma vez que são derivadas do biopolímero mais abundante do planeta. Áreas como a biomédica e a têxtil têm se beneficiado do avanço dessas pesquisas, buscando novos produtos com menor impacto ambiental.
No setor têxtil, há um movimento crescente para ampliar a oferta de fios de celulose, indo além dos fios naturais e sintéticos tradicionais. A produção de fios de MFC pode ocorrer com ou sem a adição de polímeros, sendo que, em determinados casos, o uso de solventes e processos em fluxo contínuo contribui para a otimização da fiação.
A qualidade final dos fios de MFC está diretamente relacionada às características do processo de fiação, às dimensões das microfibrilas e aos aditivos químicos utilizados. Esses fatores permitem a produção de filamentos com propriedades específicas, como características antifúngicas, antiestáticas e antichamas, abrindo caminho para o desenvolvimento de tecidos inteligentes.
Fibras funcionais e aplicação industrial
Os tecidos inteligentes têm sido amplamente estudados, especialmente com a incorporação de materiais condutores que conferem propriedades antiestáticas aos fios. O controle da eletricidade estática em materiais têxteis contribui para o conforto do usuário e para a redução de riscos associados a descargas elétricas em ambientes industriais.
Atualmente, matrizes como nylon e politereftalato de etileno (PET) são comumente utilizadas com a inserção de materiais condutores. No entanto, esses fios apresentam alto custo de produção e não são biodegradáveis. Nesse contexto, o projeto da UFES busca desenvolver fibras funcionais à base de MFC, com propriedades antiestáticas adequadas, sustentáveis e com potencial de aplicação direta nos produtos fabricados pela Cedro Têxtil.
Entre os principais resultados esperados do projeto estão:
- Desenvolvimento de filamentos de MFC com propriedades adequadas para a indústria têxtil;
- Utilização de material carbonáceo derivado da lignina na produção de filamentos com propriedades antiestáticas;
- Avaliação das propriedades físicas e funcionais dos filamentos como indicadores de desempenho e qualidade.
Com o apoio da FEST, o projeto reforça o compromisso da UFES com a pesquisa aplicada, a inovação tecnológica e o desenvolvimento de soluções sustentáveis, fortalecendo a interação entre universidade e setor produtivo.
Texto: Vanessa Pianca
Projeto 1299