1224- UFES e FEST desenvolvem projeto para avaliar qualidade de vida e reduzir riscos cardiovasculares em agentes da segurança pública do Espírito Santo
A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com apoio da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), está desenvolvendo o projeto “Análise da Qualidade de Vida e de Metodologias para Redução de Riscos Cardiovasculares de Agentes da Segurança Pública do Espírito Santo – Mens sana in corpore sano”. A iniciativa é coordenada pela Profa. Dra. Adriana Madeira Álvares da Silva, do Departamento de Morfologia do Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFES).
O projeto tem como base os resultados obtidos em uma pesquisa anterior intitulada “SOMA-SI – Programa de Autogerenciamento do Bem-Estar a partir da Análise do Estresse de Agentes da Segurança Pública do Espírito Santo”, que identificou níveis elevados de estresse entre os servidores da segurança pública. O estudo também apontou fatores preocupantes relacionados à saúde, como piora no perfil cardiovascular, baixa qualidade do sono, excesso de peso e problemas nutricionais, que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
Além disso, os resultados mostraram que servidoras do sexo feminino apresentaram maiores índices de sofrimento e comprometimento da saúde mental em comparação aos homens, evidenciando a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as condições de trabalho e os fatores que impactam a saúde desses profissionais.
Qualidade de vida em foco
Durante a avaliação realizada no projeto anterior, foi aplicado um questionário de qualidade de vida que analisou quatro domínios: físico, psicológico, social e meio ambiente. Entre eles, os domínios físico e ambiental foram os mais negativamente impactados.
Entre os principais fatores relatados pelos servidores estão dor e desconforto frequentes, fadiga, baixa qualidade do sono, redução da capacidade de trabalho, dependência de medicação, além de dificuldades relacionadas ao ambiente cotidiano, como falta de lazer, recursos financeiros limitados, trânsito intenso, ruído e poluição.
Esses resultados reforçam a importância de compreender de forma mais aprofundada os fatores que determinam a qualidade de vida desses profissionais e de desenvolver estratégias que contribuam para a melhoria da saúde física e mental da categoria.
Metodologias integradas de cuidado
Com base nesse cenário, o novo projeto propõe avaliar e aplicar metodologias voltadas à redução do estresse, da ansiedade e de outros fatores de risco à saúde, combinando diferentes abordagens terapêuticas.
A proposta integra práticas tradicionais da área da saúde, como acompanhamento cardiológico, intervenções psicológicas e cursos de educação em saúde, com terapias de corpo e mente baseadas em mindfulness, reconhecidas por promoverem redução do estresse, melhora da qualidade de vida e diminuição de processos inflamatórios no organismo.
O objetivo é avaliar tanto as condições atuais de saúde e qualidade de vida dos participantes quanto os efeitos das intervenções propostas.
O protocolo da pesquisa será realizado em três etapas principais:
Fase 1 – Triagem: avaliação inicial do estresse percebido, qualidade de vida e qualidade do sono dos participantes.
Fase 2 – Avaliação de saúde: realização de exames cardiovasculares, análises bioquímicas e avaliação molecular.
Fase 3 – Intervenção: aplicação de terapias cardiovasculares, acompanhamento psicológico, práticas de corpo e mente e curso de educação em saúde e bem-estar, seguidos de uma reavaliação dos participantes.
Os participantes do estudo serão adultos de ambos os sexos pertencentes às corporações da segurança pública do Espírito Santo, selecionados por amostragem proporcional.
Inovação científica e investigação genética
Um dos aspectos inovadores do projeto é a investigação de marcadores bioquímicos e epigenéticos associados à saúde mental e física. A pesquisa pretende avaliar se intervenções baseadas em mindfulness, combinadas com acompanhamento psicológico e cardiológico, podem influenciar mecanismos moleculares relacionados ao bem-estar.
Genes como NR3C1 e BDNF, envolvidos na regulação do sistema neuroendócrino, na integridade neuronal e na neuroplasticidade, serão analisados. Esses genes já foram associados na literatura científica a condições como depressão, ansiedade e outros transtornos relacionados ao estresse.
Como o epigenoma pode sofrer modificações influenciadas pelo estilo de vida, ele é considerado atualmente um importante marcador de saúde, permitindo compreender melhor a relação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
Impacto social e contribuição para políticas públicas
Ao investigar a saúde física, mental e molecular dos agentes da segurança pública, o projeto pretende gerar conhecimento científico e desenvolver protocolos de baixo custo e fácil aplicação, que possam ser replicados em ambientes de trabalho.
Além dos benefícios diretos para os participantes, a iniciativa poderá contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e da qualidade de vida desses profissionais, que atuam diariamente em contextos de alta pressão e risco.
A UFES conta com laboratórios especializados e uma equipe formada por pesquisadores, estudantes de mestrado, doutorado e iniciação científica que irão desenvolver estudos vinculados à proposta do projeto.
Com o apoio da FEST, a iniciativa reforça o papel da universidade na produção de conhecimento científico aplicado à sociedade e na busca por soluções inovadoras para desafios contemporâneos relacionados à saúde e ao bem-estar no ambiente de trabalho.