As primeiras ações do Projeto de Recuperação Hidroambiental e Produtivo em Assentamentos da Reforma Agrária na Bacia do Rio Grande, desenvolvido pela Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST) em parceria com a Axia Energia Centrais Elétricas Brasileiras S.A, começaram a ser realizadas nesta semana com a realização de oficinas de Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) em assentamentos da reforma agrária em Minas Gerais.
As atividades estão ocorrendo em 10 assentamentos localizados nos municípios de Veríssimo, Campo Florido, Prata e Campina Verde, envolvendo diretamente as famílias que vivem e produzem nesses territórios. O objetivo das oficinas é levantar, de forma participativa e territorializada, as condições socioambientais, produtivas e organizacionais das comunidades, subsidiando a elaboração de um diagnóstico detalhado que orientará as próximas etapas do projeto.
A iniciativa busca promover a revitalização e preservação dos recursos hídricos da Bacia do Rio Grande, aliando recuperação ambiental ao fortalecimento produtivo e à melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais.
Metodologia participativa valoriza conhecimento local
Cada assentamento recebe dois dias de atividades, conduzidas por equipe técnica especializada, utilizando metodologias participativas que reconhecem o conhecimento e a experiência das famílias assentadas como elementos centrais do processo de diagnóstico.
Entre as ferramentas utilizadas nas oficinas estão:
- Mapa Falado – atividade em que os próprios assentados representam graficamente o território, identificando recursos naturais, áreas degradadas, infraestruturas, conflitos de uso da terra e potencialidades locais, permitindo uma leitura coletiva do espaço onde vivem e produzem;
- Diagrama de Venn – ferramenta que mapeia as relações institucionais do assentamento, identificando instituições, organizações e serviços públicos presentes no território, bem como o nível de proximidade e influência dessas relações na comunidade;
- Matriz de Problemas e Potencialidades – análise participativa dos principais desafios enfrentados pelas famílias nas dimensões ambiental, produtiva, social e de infraestrutura, além das oportunidades existentes para superá-los;
- Calendário Sazonal – levantamento dos ciclos produtivos, períodos de escassez hídrica, atividades agrícolas e vulnerabilidades ao longo do ano, contribuindo para o planejamento das ações de recuperação ambiental e fortalecimento da produção.
As informações levantadas durante as oficinas estão sendo sistematizadas pela equipe técnica e irão compor um documento de diagnóstico socioambiental e produtivo de cada assentamento. Esse material servirá como base para o planejamento das intervenções previstas pelo projeto, como recuperação de áreas degradadas, manejo sustentável dos recursos hídricos, fortalecimento das cadeias produtivas locais e ampliação da articulação institucional.
De acordo com a diretora da FEST e coordenadora do projeto, Patrícia Bourguignon, o início das atividades em campo representa um passo fundamental para garantir que as ações do projeto sejam alinhadas às realidades locais.
“Nosso compromisso é construir soluções junto com as comunidades. O diagnóstico participativo permite compreender profundamente as necessidades, desafios e potencialidades de cada território, garantindo que as ações de recuperação ambiental e fortalecimento produtivo sejam realmente eficazes e sustentáveis”, destaca Patrícia.
Os resultados iniciais das oficinas têm sido bastante positivos. As famílias assentadas têm demonstrado alto nível de engajamento e colaboração, participando ativamente das discussões e compartilhando conhecimentos detalhados sobre seus territórios, práticas produtivas e desafios cotidianos.
Segundo a equipe técnica responsável pelas atividades, esse envolvimento fortalece não apenas a qualidade das informações coletadas, mas também o sentimento de pertencimento e protagonismo das comunidades no processo de construção das soluções.
Ao integrar saberes locais, metodologias participativas e planejamento técnico, o projeto busca consolidar um modelo de desenvolvimento que combine recuperação ambiental, segurança hídrica, produção sustentável e geração de renda, contribuindo para a sustentabilidade da Bacia do Rio Grande e para o fortalecimento das comunidades rurais da região.
Texto: Vanessa Pianca









