A Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST) integra a comitiva do Governo Federal que, ao lado da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ANATER), que realizou nesta semana uma série de agendas em municípios do Espírito Santo e de Minas Gerais atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em Mariana (MG), em 2015.
As atividades fazem parte das ações relacionadas ao Novo Acordo do Rio Doce. Por designação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a ANATER executa quatro anexos do acordo, que integram o Programa de Retomada Econômica (PRE) no eixo rural.
O objetivo das visitas é apresentar e detalhar a implementação dos projetos e a aplicação dos recursos aprovados pelo Comitê do Rio Doce, destinados a iniciativas voltadas à recuperação produtiva, fortalecimento da agricultura familiar e desenvolvimento sustentável na Bacia do Rio Doce.
A comitiva reúne representantes da Casa Civil da Presidência da República, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre outras instituições federais.
Na segunda-feira (9), a agenda ocorreu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Colatina, no Espírito Santo. Durante a manhã, os projetos foram apresentados a gestores municipais, sindicatos e representantes institucionais. Já no período da tarde, cerca de 200 participantes — entre agricultores familiares, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais — participaram de um diálogo ampliado sobre as iniciativas.
Estiveram presentes representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), além de associações de mulheres, cooperativas, sindicatos rurais e comunidades quilombolas. Também participaram assessorias técnicas independentes (ATIs) e instituições envolvidas na recuperação da Bacia do Rio Doce.
Recuperação de solos e regularização fundiária
Entre os projetos apresentados está o Recuperação de Solos para Produção na Bacia do Rio Doce, apresentado por Flávio Costa, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A iniciativa deverá beneficiar 16.936 agricultores e agricultoras familiares atendidos pelo Programa de Transferência de Renda (PTR Rural), com propriedades localizadas a até cinco quilômetros do leito principal dos rios impactados.
O projeto busca recuperar a capacidade produtiva das áreas agrícolas por meio da reabilitação dos solos e da revitalização de espécies cultivadas, com foco na sustentabilidade dos sistemas produtivos e no aumento da eficiência agroecológica. A iniciativa terá duração de quatro anos, abrangendo 40 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Outro projeto apresentado foi o de regularização fundiária e ambiental de imóveis rurais, conduzido por Danilo Daniel Prado Araújo, do Departamento de Governança Fundiária do MDA. A proposta tem como objetivo apoiar a retomada econômica da agricultura familiar na Bacia do Rio Doce.
Entre as ações previstas estão a elaboração de plantas e memoriais descritivos dos imóveis rurais, a atualização do Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
A programação da comitiva teve início no domingo (8), com uma visita à Cooperativa Força da Terra – União de Famílias (COOPAF), em Colatina (ES). A cooperativa produz polpas de frutas e hortifrutigranjeiros comercializados em programas institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Ao longo da semana, as agendas continuram em municípios da Bacia do Rio Doce em Minas Gerais, entre eles Aimorés, Resplendor, Tumiritinga, Governador Valadares, Caratinga e Raul Soares, dando continuidade às apresentações e ao diálogo com agricultores, lideranças locais e instituições parceiras.
A participação da FEST na comitiva reforça o papel da fundação no apoio à gestão de projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento sustentável, à inovação e à reconstrução socioeconômica de territórios impactados por grandes desastres ambientais.
Texto: Vanessa Pianca









